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Gorgo, A Medusa


Amanhece e os raios dourados de Azgher se esforçam para atravessar a densa folhagem da Floresta Greenleaf. Todas as criaturas saúdam o deus-sol solenemente mas uma em especial sente o abraço de Azgher como sendo bem mais revitalizante, assim como o sentem todos os seres de sangue frio. Protegida por um grosso manto com capuz, apenas um elfo de olhar penetrante e atento conseguiria discernir as pequenas e brilhantes escamas que recobrem a pele da criatura humanóide recostada entre as raízes gigantes de uma colossal sequóia. Ainda algo lentificada pelo sopro gélido de Tenebra, a criatura nem sequer nota um pequeno (e curioso) esquilo se aproximando cada vez mais…

Se Grethel, a Bruxa polimorfada em esquilo por uma rival, soubesse que a criatura encapuzada era incrivelmente perigosa, teria ficado em sua toca comendo suas nozes…

“Um servo de Wynna” pensou. Grethel podia (ainda que sutilmente) sentir emanações místicas. “Será que pode reverter minha maldição?” e se aproximou ainda mais. Grethel teve a impressão de ver algo se mexer sob o capuz do Mago. “Não! Tem seios! É uma Maga” raciocinou e este pensamento ocupou toda a diminuta mente do esquilo-Grethel, se esquecendo da movimentação cada vez mais ativa dos cabelos da misteriosa Maga. Olhando por debaixo do capuz ainda fracamente iluminado por Azgher, ela vê a bela Maga ainda sonolenta.

Repentinamente os instintos aguçados de esquilo fazem a outrora Bruxa notar um de seus predadores: uma serpente! Depois outra e mais outras emergindo por detrás da face da Maga. Ela, por uma fração de segundo, fita os olhos agora semi-abertos e se sente paralisada, assustada, não consegue se mover nem sequer respirar, músculos se enrijecem, não consegue fugir… Agora Grethel tem duas maldições com que se preocupar.

Com um suspiro resignado, Gorgo, a Medusa Maga de Wynna, olha para o pobre esquilo petrificado… Como ela odeia não saber controlar o poder inato de sua raça.